Grito contra a violência das juventudes toma as ruas de Copacabana

Caritas supporters show their commitment to social issues in a march against violence at World Youth Day. Copyright: Caritas Brazil/Thays Puzzi

Caritas supporters show their commitment to social issues in a march against violence at World Youth Day. Credit: Caritas Brazil/Nando Zamban

Por Thays Puzzi, assessora de Comunicação da Cáritas Brasileira

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Em marcha na JMJ, juventude chama a atenção da sociedade em defesa da vida; os assassinatos de jovens aumentaram 580% nos últimos dez anos; no Brasil, 32 jovens de até 19 anos são assassinados todos os dias, segundo Mapa da Violência 2012

As ruas de Copacabana, no Rio de Janeiro, foram ocupadas na tarde de ontem (26) por jovens de todo o mundo que marcharam contra a violência, o extermínio e deram gritos em favor da vida das juventudes. A Marcha Mundial A juventude quer viver reuniu cerca de 2.500 pessoas que se concentraram na Praça do Arpoador e seguiram até Copacabana.

Em um percurso de pouco mais de três quilômetros, os jovens chamaram a atenção de todas as pessoas que estavam no local. Em forma de jogral, os participantes repassavam frases e entoavam cantos que iam do começo ao fim da marcha como: “a juventude tem consciência e está em marcha contra a violência.” Ao entrarem em Copacabana falaram à população: “povo do Rio de Janeiro reunido para a Jornada Mundial da Juventude, somos a juventude Católica que se engaja e luta por justiça social e que hoje relembra o martírio de Jesus Cristo e os jovens exterminados. Como disse o Papa Francisco, somo uma igreja pobre e para os pobres.”

“Essa foi uma marcha contra a violência, contra o extermínio e as desigualdades que assolam as juventudes pobres, excluídas, negras, quilombolas, indígenas. É a marcha da juventude pela vida!”, disse Leon Patrick, da Cáritas Minas Gerais. Patrícia Amorim, da Cáritas Ceará, alertou sobre as divergências que ocorrem: “diferente do que se fala, não são os jovens que matam mais. Os jovens são os que morrem mais. Jovens negros, empobrecidos e das periferias principalmente urbanas. Nós lutamos pela vida e pelos direitos humanos de todas as juventudes.”

Alessandra Miranda é assessora nacional de Direitos Humanos da Cáritas Brasileira, e completou dizendo que é necessário cultivar e promover a cultura da paz.

“Nós, da Rede Cáritas, trabalhamos para a conquista de direitos desses jovens e assumimos a juventude como uma de nossas prioridades”, destacou.

Erick Guardalo veio da Cáritas de Honduras para participar do Encontro Internacional de Jovens da Cáritas e da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Durante a marcha ele disse que o ato foi um grito de toda a América Latina.

“Não queremos mais fome no mundo. Não queremos mais opressão. Não queremos mais repressão. É um chamado para o mundo inteiro que acredita na juventude. Que acredita que os jovens podem transformar e construir uma nova sociedade. Eu peço que a juventude se una em oração, em campanha para que, por meio de todos os nossos esforços, a gente construa um mundo melhor.”

“A marcha foi muito positiva, pois conseguimos apresentar nossas pautas e as pessoas que estavam por onde passamos iam se juntando a nós”, avaliou Thiesco Crisóstomo, secretário nacional da Pastoral da Juventude que completou dizendo que alguns veículos de comunicação, principalmente os comerciais, vincularam a Marcha Mundial com as recentes manifestações ocorridas no Brasil. “Inclusive chegaram a mencionar uma relação da nossa marcha com os atos que ocorreram na noite de ontem (26) no Rio de Janeiro. Não! Isso não ocorreu. Quando a marcha terminou por volta das 16h, o grupo seguiu para acompanhar a Via Sacra”, ressaltou.

A Marcha Mundial A juventude quer viver fez parte da programação da Tenda das Juventudes, atividade oficial da JMJ. A tenda foi organizada pela Cáritas Brasileira, Pastoral da Juventude (PJ), Juventude Franciscana (Jufra), Centro de Formação, Assessoria e Pesquisa em Juventude (Cajueiro), Rede Ecumênica da Juventude (Reju), Irmandade dos Mártires da Caminhada e Setor Pastoral da PUC/RJ. A atividade ocorre na Paróquia Santa Bernadete, na Avenida dos Democráticos, 896, no bairro Higienópolis.



On the streets of Rio to shout down violence
Saturday, 27th July 2013
By Thays Puzzi, communicator with Caritas Brazil

The streets of Copacabana in Rio de Janeiro were occupied yesterday afternoon by young people from all over the world who were marching against violence and killings against the young. The protestors were shouting to let young people live their lives. The global march “Young people want to live” brought together around 2,500 people in Arpoador Square, who then went on to march to Copacobana.

The three-kilometre march caught the attention of the locals. Throughout the march, the protestors shouted and sang slogans. On entering the beach area of Copacobana, they shouted: “People of Rio de Janeiro gathered for World Youth, we are the Catholic youth who are committed to fighting for social justice and today we remember the martyrdom of Jesus Christ and all young people who have been killed. As Pope Francis said: We are a poor Church for the poor.”

“This was a march against violence, killings and the inequalities which devastate young people who are poor, excluded, black and indigenous. It’s a march of young people for life!” said Leon Patrick, from Caritas Minas Gerais in Brazil.

Patrícia Amorim, from Caritas Ceará, warned of the differences that can arise: “Contrary to beliefs, more young people kill. Young people are dying more, especially young, poor black people who live in the suburbs. We’re fighting for the lives and the human rights of all young people.”

Alessandra Miranda is the national advisor for human rights at Caritas Brazil. She says that Brazil needs to nurture and promote a culture of peace: “In the Caritas network we work to achieve these rights for young people and it is they who are our priority.”

Erick Guardalo came with Caritas Honduras to take part in the Caritas’ International Youth Meeting which took place before World Youth Day. During the march he told me the protest was a cry from the whole of Latin America.

“We want no more hunger in the world. We want not more oppression,” said Erick. “It’s a call for all the world to believe in the young; to believe that young people can change and build a new society. I would like young people to unite in prayer, in a campaign so that through our united efforts we build a better world.”

The global march “The Young Want to Live” is part of activities in the Tenda das Juventudes (Youth Tent) and is an official activity of WYD. The tent was organised by Caritas Brazil along with a number of other faith-based organsisations.



Marche dans les rues de Rio contre la violence
Samedi 27 juillet 2013
Traduit par Sophie Lebrun

Les rues de Copacabana à Rio de Janeiro ont été prises d’assaut hier, vendredi, dans l’après-midi par des jeunes du monde entier participant à la marche contre la violence et les tueries contre les jeunes. Les manifestants ont appelé à ce que les jeunes ne craignent plus pour leur vie. Cette marche, dont le thème était « les jeunes veulent vivre », a rassemblé près de 2 500 personnes dans le square Arpoador avant que le cortège s’ébranle vers Copacabana.

La marche qui s’est étendue sur trois kilomètres a surtout attiré l’attention des habitants. Durant toute la marche, les manifestants ont crié et chanté des slogans. En arrivant dans les environs de la plage de Copacabana, ils entonnaient : « Peuple de Rio réuni pour les Journées mondiales de la jeunesse, nous sommes la jeunesse catholique qui s’engage dans le combat pour la justice sociale et aujourd’hui, nous nous rappelons le sacrifice de Jésus Christ et de tous les jeunes qui ont perdu la vie. Comme le dit le pape François : nous sommes l’Eglise pauvre pour les pauvres. »

« C’était une marche contre la violence, les tueries et les inégalités qui sont dévastatrices pour les jeunes et notamment ceux qui sont pauvres, exclus, noirs et indigènes. C’est une marche des jeunes pour la vie ! » a déclaré Leon Patrick, de Caritas Minas Gerais au Brésil.

Patrícia Amorim, de Caritas Ceará, a alerté sur les inégalités qui naissent actuellement : « Contrairement aux idées reçues, beaucoup plus de jeunes tuent aujourd’hui dans le monde. Les jeunes meurent plus aussi, surtout les personnes jeunes, pauvres et noires qui vivent dans les banlieues. Nous nous battons pour les vies et les droits de tous ces jeunes et tous les autres. »

Alessandra Miranda est la responsable nationale pour les droits de l’homme de Caritas Brésil. Pour elle, le Brésil a besoin de faire naitre et de promouvoir une culture de la paix : “Dans le réseau Caritas, nous travaillons à ce que les jeunes aient accès à ces droits, ils sont notre priorité.”

Erick Guardalo est venu avec Caritas Honduras pour prendre part aux rencontres des jeunes de Caritas, qui a eu lieu juste avant les Journées mondiales de la jeunesse. Pendant la marche, il m’a confié que cette manifestation était, à ses yeux, un cri d’appel pour l’Amérique latine toute entière.

« Nous ne voulons plus que des personnes meurent de faim dans le monde. Et nous ne voulons plus d’oppression, expliquait-il. C’est un appel pour que le monde entier ait confiance dans la jeunesse ; qu’il croit que les jeunes peuvent changer et construire une nouvelle société. J’aimerai que les jeunes s’unissent dans la prière, et dans des campagnes d’action afin que nos efforts combinés construisent un monde meilleur. »

La marche « La jeunesse veut vivre » faisait partie des activités proposées par la Tente de la Jeunesse et était une activité officielle des JMJ. La Tente de la Jeunesse était organisée par Caritas Brésil ainsi que plusieurs autres organisations catholiques.

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Filed under Brazil, Catholic Teaching, Español, Latin America

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